segunda-feira, 3 de março de 2008

Futebol é Tropicália

Escrever sobre futebol direto de Salvador em um fim de semana tão musical quanto foi este, termina sendo um prazer.


No sábado no Porto da Barra, um dos cartões postais de Salvador, um show ao ar livre homenageou à Tropicália. No palco Galvão, Jorge Mautner, Tom Zé, Gal Costa e outros. Na praia um público maravilhado com tamanho espetáculo. E mesmo com uma demasiada empolgação, deu pra se sentir como em um estádio, fazendo coro, coreografias e vendo de longe, da areia da praia, os artistas ao mar.


Mas vamos ao futebol. Começou no Rio, o returno do Campeonato Carioca, a Taça Rio. Pelo Campeonato Paulista, o domingo foi dia de clássico, Corinthians e Palmeiras. No Campeonato Baiano foi a da 15ª rodada. E no Brasil afora não faltaram rodada pelos estaduais.

Acompanhei três jogos. Obviamente que com dois deles acontecendo no mesmo horário, tive que optar por uma avaliação mais superficial de um dos.
Pelo Carioca, dedicação quase integral a Vasco e Boavista. Pelo Paulista, o clássico Corinthians e Palmeiras, ainda que de forma superficial. E pelo Baianão, o BaVi genérico – Bahia e Vitória da Conquista.

Vasco e Boavista fizeram um jogo tanto quanto estranho. O Boavista mandava e desmandava, mas era o Vasco que marcava os gols. Edmundo inteiramente recuperado do pênalti perdido contra o Flamengo e marcou – de pênalti! – o primeiro do Vasco,no maior estilo Jorge Mautner: "eu não peço desculpas e nem peço perdão!". Afinal nem era preciso, a nação Vascaíno já cantava "Ah é Edmundo!", o Boavista com um time formado por jogadores de nomes conhecidos como Rodrigo, ex-Vasco e Atlético Mineiro, Roberto Lopes e Faiolli, ambos ex-Vasco, continuou dominando a partida até que Jean saiu do banco de reservas e entrou pra fazer a "Alegria, Alegria" da torcida cruzmaltina, fazendo o segundo do Vasco, já na etapa final.


Alex Teixeira numa pintura fez o terceiro e Jean mais uma vez, fechou a conta. Vasco 4 x 0 Boavista. A goleada rendeu ao time de São Januário, a liderança do grupo B. E sob o regulamento "pai dos grandes", os quatro principais times cariocas venceram na estréia da Taça Rio. Viva a Bossa! Viva a palhoça!

No grande clássico popular paulista, deu Palmeiras. Não acompanhei os 90 minutos da partida, justamente por acompanhar Vasco e Boavista, além do mais a quebra de um controle remoto pode causar mudanças significativas em nossas vidas. No meu caso, levantar do sofá a cada cinco minutos era quase uma ofensa, e tão grande quanto não cair no mar gelado da praia do Porto ao ouvir Gal cantar "Folhetim".

Mas voltando ao jogo, sempre que estive de olho na partida, a superioridade foi palmeirense, tanto que após uma das zapiadas feitas de forma manual, vi a modificação do placar – isso mesmo! Perdi o gol! – mas o replay tão fundamental para a vida quanto o controle remoto, não me deixou na mão. O detalhe foi a comemoração do autor do gol, el mago Valdívia.

Após uma bela defesa do goleiro corintiano Júlio César, o chileno empurrou pras redes, e saiu comemorando como se estivesse chorando. Uma resposta aos jogadores corintianos que passaram a semana dizendo que ele era um "jogador cai-cai, um chorão". Por fim Mano Menezes, técnico derrotado na tarde de Morumbi lotado, disse que a comemoração não representou nada para ele, já que a choradeira era coisa comum em outro estado. Se ele tinha alguma admiração de botafoguenses, perdeu com tal declaração.

Mas que fique bem clara a diferença entre a comemoração de Valdívia e a do irresponsável Souza. O palmeirense foi irônico, o flamenguista insensato. Mas são outros tempos, agora mais do que nunca "é proibido proibir" então deixem que todos comemorem. Os irônicos, os insensatos e até os adeptos da popular dança do creu.

Por fim o BaVi genérico. O jogo foi parelho, as duas equipes se comportaram devidamente com as líderes do campeonato, se estudaram em boa parte do jogo. Pelo Bahia, Darci voltou a se destacar, fazendo defesas importantíssimas. O Bahia por sinal, continua com cara de time de meio da tabela na série B. Não empolga, mas segue vencendo, então, reclamar de que? Elias marcou o primeiro de falta, e como não viu o show do sábado não tinha muita inspiração pra comemorar, logo foi de Creu pra torcida. Pensando bem não ficaria muito legal, alguém sair dançando Caetano, Gal, Mautner ou Boca de Cantor após um gol. O Vitória da Conquista empatou o jogo, resultado que o conservaria na liderança do campeonato, mas após um falta cobrada em um jogada ensaiada, o lateral Daniel marcou o gol da vitória fazendo o "coração ‘tricolor’ balançar ao som de um samba de tamborim".


Vencer um BaVi, ainda que genérico, é tão bom quanto ouvir "tarde em Itapuã" na beira-mar. O Bahia com a vitória, reassumiu a liderança, dois pontos a frente do time de Conquista e quatro do maior rival e terceiro colocado, o Vitória.

Assim foi o fim de semana futebolístico sobre o meu ponto de vista. Com muita tropicália, muitos gols, sem deixar de citar as obras primas feitas por Ronaldinho Gaúcho e Robinho na Espanha, e por Perea pelo Grêmio em Porto Alegre. Daquelas que "enchem de alegria (!) e preguiça" – (ficar trocando de canal pra rever o gols, cansa!), mas eu vou, com o peito cheiro de amores e no coração do Brasil, acompanhando e curtindo nosso mundo esportivo!Viva ao futebol! E viva a tropicália!

sábado, 1 de março de 2008

Esporte e só!

A partir de agora, o Receptáculo passa a falar exclusivamente de esporte.

O blog será neste semestre critério de avaliação da disciplina Oficina de Jornalismo Digital, do sexto semestre do curso de Jornalismo.

Com isso o blog deve ter um só tema. O escolhido por mim, foi o Esporte.

O Futebol terá o maior destaque como sempre, porém a temporada de Fórmula que se ínicia logo logo também terá presença marcantes por aqui.

Por hoje é só. Com chuvas e as águas de março chegando em Salvador.

Até já!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Clássicos e tabus

O Bahia venceu o segundo BaVi do ano, desta vez no estádio Alberto Oliveira, o Jóia da Princesa, em Feira de Santana, por 1 a 0. O gol foi marcado pelo polivalente Rogério aos 38 minutos do primeiro tempo.

Com o resultado o Bahia quebra de uma só vez dois tabus, um de oito anos, já que desde o ano 2000 o Bahia não vencia dois Bavis consecutivos e outro mais recente, desde de 2004 o Vitória não perdia como visitante. O público no Jóia da Princesa foi de 11.684 pessoas.


Com a vitória o tricolor chega aos 30 pontos e segue isolado na liderança do campeonato. Enquanto o Vitória permanece com 22 pontos, mas com a vitória do Atlético de Alagoinhas, cai para a quarta posição. O presidente do Vitória, Jorge Sampaio, falou ao final do jogo que Vadão segue no comando do time.

O Bahia folga pelo Baianão na próxima rodada, já que nesta quarta-feira(27/02) vai até o interior do Ceará, enfrentar o ICASA, campeão do turno do Campeonato Cearense. O jogo será realizado às 21h45. Já ao Vitória restará tentar a reabilitação contra o Colo-Colo, às 20h30, desta quarta, no Barradão.

Já no Rio, não teve jeito, deu Flamengo de novo. Desta vez prefiro não comentar. Mas é bom dar um olhada no blog do Lédio, sobre o que ele achou do jogo.


A menina e o pedinte

Numa dessas noites entre amigos, bebidas e bar, uma fato me chamou atenção. Um fato raro, curioso, engraçado, reflexivo.

A menina burguesa, cercada por todos os lados por uma semelhante burguesia sentiu dó de um homem. Um pedinte. Barba por fazer e palavras que lhe faltavam. Não as tinha. Era mudo.


A burguesia sentiu pena da sua insignificância . "Ninguém fala com ele". Derramou lágrimas por ele. Talvez, as mais verdadeiras já vistas por esse pessimista autor.


O choro burguês não era só de pena. Passsava a impressão de vergonha. Uma vergonha que era de todos. Vergonha por omissão. Por falta de palavras. Por vergonha.


Horas depois lá estava o homem. Com alguns trocados no bolso a espera de um ônibus que o levaria provavelmente para casa, naquele começo de madrugada. O choro não mudou sua vida. Talvez um pouco das nossas. O choro não trouxe a eles as palavras. Mas talvez nos faça encontrar as corretas.


E ele se vai rumo ao desconhecido. A menina já recuperada do momento, talvez ainda pense nele. Talvez ainda lembre por alguns dias. Por algum tempo. Por hora, ela pede mais uma cerveja.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Champions League - A volta da emoção!

Começou hoje a disputa das oitavas de final de Liga dos Campeões da Europa.

Na Alemanha na Arena AudSchalke, Kevin Kurany fez logo no começo do jogo o gol da vitória do Schalke04 sobre o Porto. Na volta o time português precisa vencer por dois gols de diferença. 1 a o leva o jogo para os penaltis. Qualquer outra vitória por diferença de um gol, classifica o time alemão.


Em Liverpool, no Anfield. O jogo parecia que se encaminharia pra um 0 a 0, mas eis que faltando cinco minutos para o fim do jogo, os Reds conseguem dois gols. O holandês Kuyt marca ao 40 e o craque inglês Gerrard marca aos 45. Um resultado até certo ponto surpreendente. Será que o melhor time da Itália fica nas oitavas? No jogo de volta no Giuseppe Meazza a Inter terá que vencer por três gols de diferença, ou por 2 a 0 para levar o jogo para os pênaltis.


Na Itália, a Roma venceu o Real Madrid, de virada por 2 a 1. Pizarro e Mancini marcaram para a Roma e Raúl marcou para os merengues. Na volta o Real se classifica com um simples 1 a 0 no Santiago Bernabéu.



Na Grécia, Olympicos e Chelsea ficaram no 0 a 0. Bom para o time inglês que agora joga em casa, no Stamford Bridge. Um novo 0 a 0 leva o jogo para o pênaltis, empate com gols classifica o time grego.


Amanhã mais quatro grandes jogos. Celtic X Barcelona, Manchester United X Lyon, Fenerbahçe X Sevilla e Arsenal X Milan - com transmissão, ao vivo pela Record 16h45.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O Maracanã em dia de festa e milhões

Alan Kardec, uma dupla de zagueiros, duas torcidas, Edmundo e a importância de ter ídolos.

O subtítulo desta pseudo-crônica ao citar apenas nomes de jogadores do Vasco já denuncia que é uma espécie de choro de perdedor, mas prometo que o mais isento choro de derrotado que poderia existir.

O campeonato carioca pode não ser o que reúne os melhores times ou jogadores do país, pode não ser o mais justo em termos de fórmula (essa vergonhosa no tratamento com os times pequenos), mas não se pode negar o charme e a emoção de um fim de semana de Maracanã lotado. Um espetáculo belíssimo foi proporcionado pelas torcidas de Botafogo e Fluminense no sábado. No final deu Fogão e o Fluminense do trio ternura, parou em um Botafogo muito bem armado e na arrogância de seu próprio treinador. Renato Gaúcho declarou há uma semana ao vencer o Fla-Flu amistoso da última rodada que faltavam menos de vinte dias para dar a volta olímpica. Renato aprendeu a ser treinador, fantástico, é um ídolo e continuará a ser no banco, mas, não perde a mania de soltar suas pérolas.
Vai assistir a final da Guanabara de casa ou no máximo da arquibancada.

Mas chegamos ao domingo. O Maracanã mais uma vez maravilhoso, estupendo. Quem cresceu aprendendo a cantar as músicas de incentivo ao time e pular dentro de um estádio, sente arrepio de ver a cena. Não importa qual o time, a divisão ou se ele nem tem mais estádio. O Flamengo entra em campo e é emocionante ouvir "Tu és time de tradição, raça força e paixão! Oh meu mengo!". Mas não demora da nação vascaína cantar em homenagem a um eterno ídolo, a um filho que a casa torna. O torcedor rival conhece bem o calibre do Animal e os milhares de cruzmaltinos cantam em uma só voz "Ah é Edmundo!". Impossível não cantar junto.



Mas vamos ao jogo. Não me recordo de em 2008 ter assistido sequer a um jogo durante 90 minutos. Sabe como é, o ano só começa mesmo depois do carnaval. Mas poucas vezes assisti a um jogo de um dos meus times do coração, com uma grande impressão de que a derrota era inadiável. As escalações mostram um Flamengo superior. Isso já era evidente, mas as mudanças feitas por Alfredo Sampaio parecem fazer do frágil Vasco ainda mais frágil. Ele saca Luisão da zaga e começa com Vilson, na minha opinião seu primeiro erro. Do meio campo pra frente, com as pessoas que tinha a disposição era quase impossível errar, mas Alfredo assim o fez. Escalou o sofrível Jonilson e o medíocre Amaral. Deixou Andrade e Xavier no banco. Deu até saudade do treinador Romário, que obviamente entende muito mais de futebol do que o atual técnico vascaíno. Ver em campo Edmundo, Morais, Alex Teixeira e Alan Kardec, poderia até empolgar, mas com a bola rolando algo parecia errado. Morais ficava muito atrás. Nunca dava pra saber se o companheiro de Alan Kardec (muito isolado) era Edmundo ou Alex Teixeira – na prática Edmundo, mas esse povoava muito mais o meio campo.


Pelo Flamengo, Joel não inventou, foi o Joel de sempre. Montou seu time pra vencer. Juan e Léo Moura não iam tão bem como costumam. O meio campo com Jônatas, Kleberson e Ibson, equilibravam muito bem as coisas.

As torcidas seguiam em um espetáculo brilhante, emocionante, os cantos, as provocações, a alegria da geral com vascaínos e flamenguistas juntos era contagiante. No campo Edmundo rouba uma bola, abre em Amaral que lança Alan Kardec. Era coincidência demais, era como se ídolos vascaínos tivessem baixado no gramado. O passe de Amaral era qualquer coisa de Ipojucan ou Juninho Pernambucano (sinto muito pela comparação, mas sabe como é torcedor…). Alan Kardec corre, corta o zagueiro com a frieza de craques como Romário ou Dinamite e chuta com a categoria de Bebeto ou Ademir de Menezes. Vasco 1 a 0. Vibração no Maraca, na comemoração Alan recebe um outro espírito, um de funkeiro e a nação vascaína dança o "créu"





O Vasco cresce no jogo, mas não marca. E clássico é sempre clássico. Um clássico dos milhões então…Falta para o Flamengo, bola na área e o zagueiro flamenguista Fábio Luciano, sobe sozinho e mostra que no lado rubro-negro ídolos é o que não faltam. 1 a 1. Sua comemoração vibrante faz um torcedor rival sentir saudades de um velho rubro-negro. Rondinelli, o deus da raça se materializa no capitão rubro-negro.


Joel percebe o momento bom. O Vasco sente, O Fla pressiona, mas pra sorte vascaína, o primeiro tempo termina. Ai é hora do lado jornalista parar tudo e aplaudir a transmissão global.

As torcidas já davam seu show, mas o especial "melhores momentos das torcidas" no show do intervalo dá um brilho ainda maior ao espetáculo.

O segundo tempo recomeça e logo no início, Juan derruba Morais. A lógica diz que ele, cobrador oficial do time deve bater. Um vascaíno doido pra eternizar o momento pediria o goleiro Thiago, mas qualquer em sã consciência faria como a multidão na arquibancada, pra bater "Ah é Edmundo!". No mesmo gol onde há oito anos atrás ele perdeu o pênalti que deu ao Corinthians o Mundial de Clubes, no mesmo gol onde em 97 contra o mesmo Flamengo ele foi brilhante e fez três na antológica goleada de 4 a 1. Edmundo telegrafou, bateu mal, recuou a bola e Bruno catou. Agora quem gritava "Ah é Edmundo" era a nação flamenguista em êxtase.




O Vasco sentiu o golpe, o time, a torcida, Alfredo Sampaio. O Flamengo cresceu como se tivesse feito um gol. A torcida passou a empurrar o time, Juan se soltou pela esquerda. O Vasco só assistia. O gol flamenguista era questão de tempo. Apesar de difícil de acreditar, Leandro Bonfim fazia falta. Alfredo põe Andrade, mas logo depois tira Alex Teixeira e coloca Xavier, a intenção segundo ele liberar Morais, pra mim, fechar o time numa retranca estilo Ancelotti (novamente com o perdão da comparação). O treinador vascaíno poderia aprender muito com Joel Santana, que como disse na última semana o jornalista Eric Faria, não é nem pretende ser o melhor técnico do Brasil, é apenas o Joel de sempre.


E Alfredo quis inventar, resultado, bola na área vascaína e Ronaldo Angelin, mostra que o nordestino acima de tudo um forte, ele que havia tomado o corte seco de Alan Kardec no gol vascaíno, ele que deixou o Fortaleza pra jogar no time de maior torcida do país, pede passagem para entrar na galeria de ídolos rubro-negros.


A cabeçada não foi precisa como as de Nunes ou Titã, mas contou com a mesma sorte desses grandes. Tocou na trave esquerda, passou por Thiago assustado e morreu no lado direito do gol vascaíno. Virada, festa, alegria no Maracanã. E o grito que se ouvia era de uma só nação apaixonada: "eu sempre te amarei, onde estiver estarei, oh meu Mengo!".

E ai já não havia mais tempo para reagir. O Flamengo ainda perdeu uma ou duas chances em contra-ataques rápidos, depois foi só prender a bola e esperar o apito final.



Para os vascaíno ficou a sensação de que não foi um domingo todo perdido. Foi bom voltar a gritar "Ah é Edmundo", ainda que lamentar logo em seguida o seu erro. Mas foi um domingo onde acordamos emocionados com a excelente matéria do Esporte Espetacular sobre um velho ídolo, Geovanne. Um craque vascaíno que enfrentou uma grave doença e agora luta para recuperar os movimentos. A força de vontade do ex-jogador de passes precisos e que comandou a geração do tetra na Olimpíada de Seul, é algo que serve de exemplo. As palavras de força ditas por Romário e Edmundo e a visita surpresa do maior de todos os vascaínos, Roberto Dinamite feita ao vivo para Geovanne, emocionou e fez relembrar o quanto é bom ter ídolos. Parabéns a eles, sejam vascaínos ou flamenguistas. E que no próximo domingo o Maracanã mais uma vez esteja lotado e que as torcidas novamente brilhem, e que no final a festa seja tão bonita como a feita pela torcida rubro-negra ontem, com muita paz e muito "creu".


sábado, 16 de fevereiro de 2008

Ronaldo - Homem, ídolo, iluminado

Durante a Copa de 94, me lembro de perder horas com revistas sobre futebol aprendendo sobre os grandes nomes das Copas passadas. Kemps, Puskas, Cruyff, Paulo Rossi, Pelé, Garrincha, Gordon Banks, Leônidas, os irmãos Charlton, Maradona e tantos outros. Só não imaginava que entre os reservas da seleção, estaria um mais um desses grandes nomes.

O menino de apenas 17 anos se tornaria em pouco tempo em um gigante, um ídolo, um fenômeno. Um torcedor do Bahia apaixonado, não esquece as glórias e muito menos as tragédias, e foi justamente contra o Bahia que vi pela primeira vez aquele menino brilhar. Jogando pelo Cruzeiro, Ronaldo fez cinco gols em uma partida no Mineirão com direito a um vacilo histórico do experiente goleiro Rodolpho Rodriguez em um dos gols. Ao ser entrevistado no fim do jogo, o franzino garoto perguntava “vocês viram aquilo lá? Tava filmando?”.

Ronaldo começa seu vôo. PSV, Barcelona e pronto, o fenômeno era uma realidade. Suas jogadas encantavam, faziam com que os meninos de terceira e quarta série ficassem fora da sala tentando imita-lo ou narrar seus gols. O menino de São Cristóvão aprendeu a ser ídolo, conquistou tudo que poderia ser conquistado, sentiu o peso da responsabilidade na final da Copa de 98.

Depois disso veio a primeira grande queda. O joelho direito não resistiu, foi incapaz de fazer tudo que o cérebro genial pedia. O mundo chorou com Ronaldo.
Como muitos achei que fosse o fim.



Lembro da sua volta contra a seleção da Iugoslávia, em um amistoso preparatório para a Copa de 2002. Visivelmente acima do peso, duvidei que aquele pudesse voltar a ser o Ronaldo Fenômeno. Diferentes desses muitos que duvidaram, Felipão confiou e assim ganhou a Copa.

Aquele gol de empate feito quase ao 40 do segundo tempo contra a Turquia, era o primeiro sinal de que o Fenômeno estava de volta. E assim ele foi durante toda a Copa, o Ronaldo que aprendemos a gostar, a gritar “ah moleque!”, a abrir os braços e comemorar no estilo aviãozinho, a acompanhar Galvão empolgar-se com o “Rrrrrrrrrrronaldinho!”.

Ele voltou, como que das cinzas ressurgiu. Foi brilhante, foi o Cascão da garotada, foi Ronaldo a la Romário pra nós levar a final da Copa. E lá derrubou o muro de Berlim. Oliver Kahn provou do veneno do fenômeno. E todo um país voltou a se render a um homem. E não havia no mundo alguém que melhor representasse o bordão “eu sou brasileiro e não desisto nunca”.

O tempo passou, Ronaldo voltou a ganhar peso, teve que lidar com novas, ainda que mais simples, contusões, porém ele chegou em 2006 pronto pra fazer história em mais uma Copa. Paramos no talento de Zinedine Zidade, mas Ronaldo não deixou de fazer a sua história. Chegou aos 15 gols em Copas. Ninguém balançou a rede tantas vezes quanto ele em mundiais.

Daí em diante as coisas não foram tão boas, Ronaldo voltou a Milão, dessa vez para defender o Milan. No começo deste ano quase veio ao Flamengo. Confesso que não me sentiria tão feliz em vê-lo jogar pelas cores do rival, mas Ronaldo, flamenguista declarado, sempre foi tão brilhante, que seu sucesso onde quer que fosse faria um vascaíno feliz.

Mas quis o destino que Ronaldo sofresse mais uma vez. Nessa semana meio sem graça, ele voltou a cair. Nova ruptura, desta vez no joelho esquerdo. Segundo especialistas menos 50 casos de ruptura dos tendões dos dois joelhos foram registrados no mundo, uma prova de que Ronaldo não é um ser comum, realmente é um diferenciado.


Em meio a tanta perplexidade e tristeza, noticias de que Ronaldo poderia desistir do futebol começam a encher o noticiário. Sinceramente, torço para que isso não aconteça. Ronaldo já provou uma vez que é capaz. Os céticos de ontem, hoje confiam, torcem – alguns celebram sua dor, esquecendo de quanto foram felizes graças a ele.

Ronaldo é um vitorioso, um guerreiro, um fênix, um vencedor. Já ganhou tudo na vida, mas merece continuar a fazer o que mais gosta. Dentro das quatro linhas e com uma bola nos pés, ele será sempre o bom e velho fenômeno.

Que 2009 não tarde a chegar e que em um ano e meio, dois anos voltemos a ver a milagre do fênix, mais uma vez estrelado por Ronaldo Luiz Nazário de Lima.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O CFC também escancara (lá ele!)

Depois de mais de 250 horas de festa, impossível não ter conspirações a se fazer. Algumas chamaram mais que a atenção.

Por exemplo, nada contra os foliões do bloco Crocodilo, que tinha em média quatro mil integrantes, sendo que pouco mais de 98% eram gays ou lésbicas – para faconianos de sexto semestre eram normais "as cenas", engraçado era ver a reação da maioria das pessoas – logo o CFC propõe que ano que vem, se faça apenas uma mudança, em vez de "Crocodilo" o bloco poderia se chamar "As lagartixas". Conspirando sempre! Mas parabéns aos integrantes do bloco, o CFC é macho, mas também inteligente a ponto de reconhecer e respeitar, mas, sem deixar de conspirar!

"ACM Neto, independente de política, eu te amo!"
Quem ouviu isso pelo menos uma vez nos três dias de avenida, no mínimo se perguntou que diabos de relação têm Márcio Vítor do Psirico e Grampinho Neto. Tudo bem que Grampinho é um dos donos da empresa que administra ou administrou o Psirico, mas as declarações soavam tão "Crocodilo" que ou o rapaz do Toda Boa queria que vossa excelência interferisse no resultado das premiações carnavalescas da família Grampo ou ano que vem eles saem juntos de Lagartixas.

"Bôra Baêa minha porra!"
Conspirador não esquece o futebol, muito menos no carnaval e entre uma paletada e outra, quando um dos membros do CFC passava por dentro do bloco Balada - o preferido do Conspiração, afinal, onde tem Balada? Tem a mulhegada! – o cantor do Jammil, Tuca Fernandes puxou o coro: Baêêêêa! Baêêêêa minha vida! Baêêêêa meu orgulho! Baêêêêa meu amoôôôôr. A partir daquele momento o Jammil foi perdoado por ter criado o "sou praieiro, sou guerreiro".
O vento que balança, balança o MAMOEIRO (?!)
O CFC sempre quis saber por que diabos, o vento que balança, balança logo o mamoeiro? Tanta coisa pra ele balançar! Mas ai veio o carnaval e descobriu-se que não é só a turma do Parangolé que tem explicações a dar. Vejamos, a música carro-chefe do Cheiro de Amor diz: "Porque a lua é de São Jorge e toda praia que eu vou tem mar, todo castelo tem seu rei, porque você não vem me amar?". Pára! Pára tudo! O que é que tem haver? A lua ser de São Jorge? Toda praia que ela vai ter mar!(PQP! Toda praia que eu vou tem mar, dói!), todo castelo tem seu rei (ok, legal!), e porque você não vem me amar! Toda poética era pra perguntar isso?! Tenha dó! E o CFC que achava que "suba aqui na minha moto, aqui não tem terremoto" era o fundo do poço!

Pra fechar ou desescancarar, aqui vão as congratulações do CFC ao departamento de marketing das Óticas Diniz, colocar uma LINDA mulher, PELADONA em cima de um trio elétrico, apenas com os seios pintados com o que seria um óculos, foi uma sacada genial! Foi sem dúvida o ponto alto do carnaval. Não teve quem não parasse para ver a moça, ou melhor, a propaganda. Essa sim toda boa! A moça!

CFC ano 3, ainda mais conspiradores.

Se 2007 foi um saco, 2008 vai ser escroto!

CFC, poluindo a atmosfera, destruindo a camada de ozônio e contribuindo para o aquecimento global!

Conspiração Futebol Clube produzindo momentos conspiradoramente inesquecíveis em sua vida!

Eu gosto é do povo!

Em seis dias de carnaval, o melhor de tudo foi o povo. E o contato direto com essa gente festeira, que vive reclamando da vida, mas que não dispensa o carnaval foi sem dúvida, o melhor de tudo.

Caso fosse obrigado a escolher apenas um entre os tantos momentos desse carnaval sem dúvida, escolheria a passagem da Mudança do Garcia. Um bloco do povo, sem cordas, cheio de irreverência e crítico. Confira as fotos no Bombando.

Foi na Mudança, o primeiro reconhecimento popular. Um dos integrantes dos Dominados, ia também na Mudança, ainda vestido de político, tinha a mostra, o outro lado da placa com que desfilou na sexta-feira exibindo Renan Calheiros, depois de mais uma foto, o reconhecimento "você que pôs os Dominados lá no site não foi?". E em pouco tempo se percebe o tanto quanto é divertida essa brincadeira.

Na terça do EVA, as belas moças fotografadas antes no ensaio do Harmonia também relembram e em pleno carnaval somos como amigos de infância.

Foi o povo quem elegeu "toda boa" música do carnaval, povo que cantou junto com a toda boa, Ivete Sangalo, rezou com Cláudia Leitte e chorou com Saulo Fernandes, foi do povo o grande show do carnaval.

Atrás da próxima latinha a cair no chão ou puxando com força a interminável corda dos blocos, ou vendendo seja lá o que for, para ganhar o pão de pão de cada dia, o povo foi brilhante. Dava pra se divertir atrás do artista preferido, com cuidado e de olhos abertos para os malhados e para a polícia, dava pra sorrir sem pensar no amanhã, mas também sem esquecê-lo.

Em cada saudação ao artista, em cada foto, em cada canção, em cada momento, se via nos olhos dos verdadeiros protagonistas a esperança. Por isso é que eu gosto é do povo!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Escancara!

Tá dominado! Tá tudo dominado!


Eles chegaram de mansinho e conquistaram o público presente na passarela do Campo Grande.

O bloco Os Dominados deu um show de irreverência na Avenida, trazendo várias mensagens em cartazes, os rapazes trouxerem alegria e descontração ao circuito Osmar.

Puxados por uma animada charanga, eles fizeram graça, e aproveitaram pra alfinetar. Sobrou até pro Renan!

É o carnaval de Salvador, vale tudo! É o carnaval do Escancara!


Matéria publicada originalmente no Itapoan Online: http://www.itapoanonline.com/main/carnaval/materia.aspx?nid=11923



Me deixa a vontade!

O bloco Me Deixa a Vontade, composto por muitos deficientes físicos, deu um show a parte na passarela do Campo Grande nesta sexta-feira (01/02).


Sob o comando de Edu Casanova, o bloco trouxe muita alegria para a avenida, e mais uma vez provou que o preconceito não tem espaço no carnaval.


De cadeira de rodas ou de muletas, o importante é a diversão. E isso não faltou ao bloco.


Os foliões cantaram e dançaram o tempo inteiro e estivem em sincronia total com o cantor Edu Casanova.


É o Me Deixa a Vontade provando que a alegria supera qualquer desafio e brilhando no Carnaval do Escancara!



Matéria publicada originalmente no Itapoan Online: http://www.itapoanonline.com/main/carnaval/materia.aspx?nid=11959




Veja outras matérias e a cobertura completa sobre o carnaval 2008, no especial Escancara do Itapoan Online: http://www.itapoanonline.com/main/carnaval

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O Abre Alas - ou a boa vida de jornalista

A quarta-feira pré carnaval é também conhecida como a "abre alas", onde vários artistas já começam a fazer seu carnaval. E em um dos principais restaurantes da cidade, Cláudia Leitte fazia sua última coletiva como Babado Novo, ou seria a sua primeira como Cláudia Leitte? Enfim, o certo é que a equipe do Itapoan Online foi escalada para cobrir o evento, caberia a Maria Paula Almada e a este repórter-autor-faminto trazer noticias e imagens direto do Boi Preto.

Na chegada, a simpática funcionária nos recebe, abrindo a grande porta de madeira "estilo aquelas de O Aprendiz" e nos encaminha ao salão de eventos. Lá a nata jornalística e fofoqueira da Bahia já se fazia presente. Antes de nos acomodarmos, vale lembrar que a equipe do IO foi recebida pela assessoria da cantora, que nos forneceu um kit com informações sobre CL, entre agenda, bloco de notas, caneta e cocada baiana com BABADO NOVO grafado na caixa, um pen drive de 1gb(!!) – vale lembrar também que no caso do pen drive, era oferecido um por equipe e quem mandou eu ser o fotógrafo?!


Antes de uma da tarde, a produção fez questão de informar ao corpo jornalístico presente, que o buffet era aberto e que nos servíssemos. Como se precisasse lembrar. Os milhões de tipos de queijos e camarões, disso, daquilo e daquilo outro, foram experimentados. Lógico que em pequenas porções, nada que lembrasse a montanha gastronômica do colega repórter sentado bem a nossa frente. O prato do "tio" chamou mais atenção do que a própria CL, mas enfim, vamos aos finalmentes.


A entrevista serviu para CL esclarecer dúvidas sobre a sua saída da banda Babado Novo para se dedicar à carreira solo e ainda sobre a troca de blocos para o ano que vem – ela deixa o Papa (bloco do qual é sócia) para puxar o Inter (primeiro da fila no Campo Grande). Confira a matéria na íntegra aqui.


Depois de encerrada a coletiva, CL se dirigiu a uma sala exclusiva onde gravou com as equipes de TV, enquanto isso o rodízio começava para os jornalistas remanescentes. E ai nem dava pra parar a boca. Filé disso, carne disso, coração daquilo, a barriga avisa que já é hora de parar e pra fechar as sobremesas que contribuíram para que não se tivesse a menor saudade da fartura do feijão de Dadá. Aliás, que feijão o que? Eu gosto é de Leitte!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

“Jornalismo, poder e sedução ou A Mídia e o Feijão”

Domingo de folga é de folga, mas jornalista ainda na faculdade aprende que domingo é dia de trabalho e que folga é que nem domingo, ou seja…

E no último domingo de janeiro, que teoricamente seria de folga, lá estava eu escalado. A missão não era das piores, cobrir a “tradicional” feijoada da Dada, e lá vamos nós.
Nome na lista, pulseira amarela com letras garrafais escrito IMPRENSA e eu, e meu colega de site – o responsável pelas fotos, a mim caberia o texto sobre o evento – estávamos dentro do espaço reservado aos nobres que desembolsaram R$ 220 para comer o feijão da pista e R$ 440 para comê-lo do alto, quer dizer do camarote.

É engraçado como tem gente que vive reclamando da vida, mas não tem pena de coçar o bolso pra comer um feijão. Tudo bem que cada um faz o que quer com seu dinheiro, mas eu nunca, nunquinha que estaria ali se não fosse por livre e espontânea pressão.
O evento contava com vários ambientes, o primeiro, um enorme salão ao ar livre, com várias mesas, onde a nata soteropolitana – genuinamente formada por brancos e muitos, mas muitos negros (isso é parte bastante relevante se levarmos em conta o valor do ingresso e divisão econômica soteropolitana – mas eu juro que tento não falar mais nisso).

Em um outro ambiente, rolava os shows, o primeiro da Voa Dois, e como neste verão já foram tantos os encontros, que é capaz de Fredd e Katê acharem que eu sou fã de carteirinha, ou então daqui a pouco eu vou estar aqui elogiando a duplinha de duas músicas, mas enfim, eles se esforçam, e hoje ganharam até uns sorriso cínicos de minha parte enquanto os fotografava (também tive meu momento Magnum 60 anos =]).

Depois de uns 10 churrasquinhos dos mais variados sabores, a equipe do Itapoan Online se dirigiu ao camarote. E ai prepara a câmera fubenga porque lá vem celebridades.
O primeiro “famoso” que vi foi Giacómo Mancini, mas ele não conta, é jornalista e ainda por cima da concorrente! (e caso se lembrasse de mim, pior ainda, barrei ele no Compoli 2006, quando queria entrevistar Heloisa Helena) Nada de fotos!

Em seguida um gordinho, calvo e que só era visto com um copo na mão, faz pose de político e me lembra que é ninguém menos do que o ex-senador e ex-ministro das minas e energias, Rodolpho Tourinho, agora eu entendo o lado da energia, fã de um Red Label, o tio Rodolpho. Falando em Red Label, no camarote ele chovia, zilhões de garrafas extremamente tentadoras enfeitavam o buffet e os copos. Mas em serviço jornalista não bebe, – isso porque o jornalista autor não consome álcool a exatos 15 dias, não que eu queira manter por muito tempo o recesso, mas promessa é promessa (recado entendido?!) – mas de lembrança, trouxe o copo vermelho com a logo do Walking.

Patrícia Nobre, sempre simpática era outra jornalista famosa e concorrente, por sinal, voltando ao Giácomo, a criança trabalha certo. Chegou e foi logo comer. Certo ele. Mas em poucos instantes o camarote virou passarela e lá estavam Luiz Sallem e sua trupe de gazelas, eram tantas que davam até pra puxar o trenó do velho Noel. Neuza Borges, a lindíssima Solange Couto, Bruno Gagliasso, a namorada Camila Rodrigues - que vai ter papel importante na história que conto já – e o seu irmão Thiago Gagliasso.

Nisso tudo Netinho já estava no palco, e o ex-secretário Albérico Mascarenhas, o deputado Grampinho Neto, e o genial (e hilário) Nizan Guanaes desfilavam pelo camarote (dizem as más línguas que se Nizan é gênio, Duda é Deus! Mas em terra de PFL o bom é o Guanaes e sem mala!), enquanto isso, o ex-prefeito Imbassahy comia na área dos mortais com a sensação de que “se fosse naquele tempo, eu também estaria lá em cima”.

Entre outras tantas ilustres presenças, uma chamava atenção dos futuros jornalistas, um senhora de baixa estatura fumando excessivamente, Lêda Nagle, jornalista e há anos apresentadora do Sem Censura na TV Cultura, e que se derreteu em sorrisos ao ouvir um “fã aspirante a jornalista pode tirar foto?” – Pode sim meu bem. Então que se registre.
Dadá chegou um pouco antes trazido por dois negões “todos completos” como diria um velho amigo, e de sunga, por que diabos eu não sei, mas enfim a anfitriã vestia um modelito “Aquático” - aquele do He-Man lembra?! Talvez explique a sunga! – e chorava de emoção – como em todo ano.

Vale lembrar também que foram feitas fotos do pobres mortais também, logo logo estarão no site, incluindo freteiras que achavam que éramos repórteres importantes, ah o poder da mídia, o poder seduz…falando em seduzir, sabe aquele sorvete que o Bompreço vende de 25 conto a caixinha minúscula?! Então tinha em fartura, e se o Bompreço não permite Dada permite, e um só não, vários, até que é bom, mas não vale os $25, tem gosto de sorvete e só!

Por fim a história mais cabeluda do dia – e olha que Cláudia Ohana nem foi vista – meu amigo fotógrafo – as vezes por demais precipitado e diríamos que estressado com aquilo que deram o nome de máquina (vale lembrar que a 01 estava em Camaçari sendo usada no jogo do Bahia, sobrou a reserva, nem de longe a altura) – foi bater uma foto da namorada do Gagliasso, que no momento comia, a moça chegou a pedir um tempinho, mas o apressado puf! Tirou.

Ela não se importou, mas um fotógrafo “profissional” ao lado não gostou, o moço que carregava o nome estampado na camisa “Fred Pontes – Fotográfo” chiou, dizendo que não se tira foto da pessoas comendo e blábláblá e ai começou a discussão, o hilário era ver que a atriz fazia o papel da turma do deixa disso, por fim o “profissional” deu um tapinha nas costas do “amador” como quem diz “vá aprender vá criança” e como resposta ouviu um “vc é viado!”. Eita, no maior estilo Vera Verão, o rapaz(?!) gritou “não me chame de viado não”. Eu já até imaginava as manchetes das colunas de fofoca no dia seguinte “Jornalistas trocam farpas no camarote da Dadá!”. Ofendido o moço veio pra cima do nosso fotógrafo que por sorte já subias as escadas. Depois o “amador” fotógrafo foi se desculpar com o “moço”, alegando estar nervoso com a má qualidade da câmera, e tomou até umas aulas de como tratar os artistas.

Pra mim foi só mais uma mostra clara de que não esse tipo de jornalismo que eu curto. Nunquinha da Silva que eu importunaria o ser humano que fosse pra dizer “oh tira uma foto aqui pro nosso site, jornal, sei lá o que!”. É estranho, mas eles são de carne e osso, e merecem seu momento de intimidade. É, descobri que é isso que eu não quero.

Lembro-me do meu longo fim de semana de 2001 em Maceió no mesmo hotel dos Titãs, tendo que tomar café com os carinhas e no máximo dizer “bom dia”, nada de tietagem. Mas enfim assim foi o valioso Feijão Vip da Dada.

Ah vale ressaltar que eu não fui solidário a Imbassahy e comi o meu prato de feijão, na ala dos R$ 440, dividindo a mesa com Ed Bala – nem tudo é perfeito né?! – Estava muito bom admito. Mas enchi mesmo foi em casa, a noite, comendo o feijão mais vip que eu conheço, o de Vó.

A propósito, ano que vem o CFC vai lançar o primeiro feijão vip do Conspiração, com o tempero da minha vó, ingressos a 500 reais e um infinidade de gente disposta a pagar caro por um prato de feijão, vai ser melhor do que ganhar na mega sena. O CFC vai pra Grécia! E de Cruzeiro! E comendo…Feijão!

Ps: Antes que a noite chegue ao fim, acabo de ser informado que Clarindo Silva voltou a ser o Rei Momo do carnaval de Salvador, por ordem judicial. No maior estilo Marreco de Cidade de Deus, eu diria: Que putaria é essa?! Nunca se viu tanta para se escolher um Rei Momo, e olha que Dadá gritou bem alto pra todo mundo ouvir na feijoada “Viva a putaria!”. Então viva! E bem que Clarindo podia ter sido convidado, com certeza ganharia uns quilinhos a mais, e quem sabe acabava com esse imbróglio. Semana de carnaval, e que venha a bendita escala!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A loira do Tchan

De presente de aniversário ganhei uma entrevista. Na verdade eu faria a entrevista. A entrevistada: Carla Perez. Plagiando a frase dita ontem pelo jurista Edvaldo Brito, agora candidato à prefeitura de Salvador, não sei se para minha sorte, ou minha desgraça.

Antes da chegada da artista de mais de duas capas da Playboy, sendo que a última delas (aquela do Papai Noel, lembra?! Ah eu também!) encontra-se nesse momento na prateleira das revistas, no meu quarto, com um autógrafo da mesma na foto da página central, conversei com o seu assessor de imprensa, usando mais uma vez o professor Brito, não sei se pra minha sorte ou azar, meu vizinho.

Cerca de duas horas depois, Carla e sua Blazer preta desembarcaram na emissora. Em pouco tempo lá estava o repórter autor, com câmera e gravador em mãos, seguindo ela e o assessor até o camarim. O “vizinho” pediu-me alguns minutos para que ele se trocasse e etc e tal, minutos que viraram uma eternidade.

Enquanto eu revia as perguntas pela 478ª vez, os dançarinos da cantora (?!) e apresentadora – assim fui informado na pauta (além de atriz! Mas isso eu que descobri!) – chegavam ao camarim, alguns vestidos de tartaruga, dentro daquelas roupas enormes que faz qualquer um morrer de calor só por olhar.

Uma eternidade depois, fui convidado pela querida maquiadora – e uma das pessoas mais divertidas dali – a entrar no camarim, Carla pediu alguns “minutinhos” e já trajada de paquita, - ou seria da própria Xuxa?! – enfim me recebeu, vale informar a censura feita pelo “vizinho” antes de irmos aos finalmentes (“isso não pode! Isso também não!” - O que é que pode meu filho?!)

A figura foi uma simpatia que só, respondeu a todas as perguntas – vale lembrar que apesar da primeira pergunta já ter sido feita diretamente para Carla, o “vizinho” é que tratou de responder. Mas ai a gente conta até dez, faz cara de maníaco psicopata e toca o barco.

Por fim, algumas fotos e ela bastante atenciosa se despede, correndo para se posicionar atrás do palco, onde encontra o amigo e apresentador daquela casa, recém contratado. Ambos participam juntos da gravação do programa. Mais uma foto com os dois juntos nos bastidores, e o nome da loira é anunciado. Ela é arrancada das mãos do comunicador por um produtor, e entra no palco.

A criançada vai ao delírio, canta e pula o tempo inteiro. E o repórter aniversariante até se pergunta, não é que ela leva jeito?!

Confira a entrevista em primeira mão:

*O Algodão Doce se tornou ao longo dos anos um dos principais blocos infantis do Carnaval. E em 2008, o que você promete trazer de novidade para o bloco?

-Esse ano teremos alguns convidados especiais. Tem a Kelly Key que vem fazer uma dobradinha com a gente. Tem Toni Garrido, Pitoco, Xandy que é o padrinho do bloco. Tem a Thaeme Mariôto, do Ídolos. E esse ano tem uma novidade para as crianças. Quando elas forem pegar a mochilinha, com o abadá, com a mamãe sacode, com o suquinho, o biscoitinho, tudo isso que a gente manda, ela vai ter direito também a tirar uma foto com o nosso fotógrafo no estúdio e ai vai ser feita uma montagem, juntando a foto deles com a minha foto. E ai a criança vai ter uma lembrança do Algodão Doce.


*Ainda sobre o carnaval, existe alguma coisa preparada para o Passeio Público?

-Ah tem sim. Eu estarei sendo homenageada no Passeio Público esse ano. A gente vai fazer um show especial pra eles, levando os convidados do bloco pra lá também., pra continuar a festa lá. Eu diria que o bloco se estende ao Passeio Público. Porque a galerinha toda continua lá com a gente. E ai eu vou me apresentar lá


*Como é que funciona a escolha do repertório para o carnaval?

-Assim eu tenho três cds infantis, e ai a gente faz uma seleção do que vai tocar dentro da Avenida. E fora eu vou sentindo o público e as coisas vão acontecendo.


*Como é que foi o 2007 de Carla Perez?

-Pra mim foi um ano em que eu estudei muito, então eu estava pirando. Olha que as vezes eu não estava agüentando mais. Eu falei gente. Por que você estudar...Eu estou fazendo curso de teatro. Estou pra acabar. Filhos, marido, trabalho, casa pra cuidar, tudo, ai deixa a gente doido, pira mesmo. E esse ano teve apresentação tanto no final do segundo termo, quanto no final do terceiro. Agora depois de carnaval eu vou começar o quarto.


*No final do ano passado você liderou a campanha Mercado Infantil Solidário, que arrecadou roupas para crianças de instituições hospitalares. Como é que surgiu a idéia e como é que foi o resultado?

-Eu fiz a um tempo atrás, foi uma das primeiras vezes que fiz algo para as crianças, isso tem uns seis, cinco anos no máximo, que eu fiz a campanha. E no fim do ano passado eu reencontrei a dona, e ela pediu que eu participasse da campanha que nesse ano ajudaria o hospital de Irmã Dulce e o NACCI. E do NACCI eu sou filha, sou mãe, sou tudo. E na mesma hora, quando ela falou que ajudaria o NACCI eu não pensei duas vezes, e ainda convidei o Xandy para fazer junto comigo. Por eles queriam um padrinho e um madrinha. E ai tivemos a maior arrecadação que a gente teve. E fizemos a entrega já agora em 2008.


*E os projetos para o decorrer de 2008?

-Olha, pós carnaval eu vou estar com um piloto pra ser apresentado através da Cinema Music, pra ver se a gente faz um trabalho bacana para as crianças na televisão. Ai se rolar benção pura, se não paciência.

Feliz aniversário, envelheço na cibercidade

As garotas da minha rua, os garotos a beber. Já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade. E pra piorar, eu já não caibo mais nas roupas que eu cabia e já nem encho mais a casa de alegria. Mas enfim é aniversário.

É sempre engraçado aniversariar, é verdade que não é tão engraçado acordar cedinho com o celular tocando, mas as mensagens de pessoas que você não vê faz tempo, pagam pelo transtorno. Até mesmo um bonitinho “aproveite o dia especial de hoje” do Itaucard, que dessa vez não falou em dívidas.

O carinho dado pela família antes mesmo de você por o pé pra fora da cama, faz com que se deseje que todo dia seja aniversário. Café da manhã especial e tudo.

Mas o que pode parecer uma repetição dos anos anteriores se mostra diferente em pequenos, mas significativos momentos.

De uns anos pra cá, com o advento tecnológico orkutiano, as coisas ficaram…diríamos que bem mais divertidas.

Você recebe parabéns de gente que nunca viu na vida. E que no máximo trocou cinco palavras com você nos longos meses de “amizade”. Mas recebe parabéns de gente que esteve presente na sua vida desde o tempo em que aprendiam a ler, e que há muito tempo não se encontram, não se abraçam, mas que faz questão de deixar nas palavras todo o carinho e admiração que são recíprocos.

Ou ainda de gente que você conheceu a pouco tempo, e que o pouco já virou muito e com um pouco mais de atenção se percebe é que falta pouco, e que pouco a pouco os amigos de faculdade se transformam em muito na sua vida. Seja escrevendo de Paris, Bilbao, Santiago ou do computador do seu lado.




De gente que entrou em sua vida por uma informação, e que o coração faz questão de informar todo dia, que jamais sairá.

De “amigos” e amigos do país inteiro, gente que você tem um carinho todo especial sem sequer ter dado um abraço.

Homens de barba na cara e mulheres já comprometidas que dizem com todo carinho “eu te amo”.

De pessoas que tinham tudo pra não fazer parte da sua vida, mas que lhe fizeram voltar a ser calouro, e amar cada momento ao lado delas.

De pessoas que a sete dias atrás você nem conhecia e que hoje você morre de saudades do miojo feito por elas.

De gente que foi tão importante na sua vida, por um tempo deixou de achar que fosse, e hoje volta a te escrever pra desejar todo sucesso do mundo.

Aniversário é mesmo algo bem estranho, mas engraçado também. Compartilhar um bolo gigante com colegas de redação, “amigos” de longos dois meses é diferente, mas divertido.

Passar mais uma etapa é tempo de olhar pra trás e agradecer aos responsáveis. Os que tiveram a obrigação e os que foram escolhidos (a dedo).
É tempo de relembrar os que já não fazem parte do convívio diário em corpo, mas que nos observam a todo momento. É hora agradecer e só.

Pelos poderes do ciberespaço, eu tenho a força.
A força são os outros. Afinal “sem você sou pá furada”.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Oscar 2008 e os moleques da Academia

A Academia Americana de Cinema revelou ontem o nome dos indicados ao Oscar 2008. Óbvio que não vi quase nada dos concorrentes a indicados e muito menos dos classificados.


Mas vi "O ano em que meus pais saíram de férias". Filme brasileiro dirigido por Karl Hamburger, o filme se passa no ano de 1970. Ano do tri-campeonato mundial de futebol. Momento em que a ditadura nos apresentava o fenômeno do crescimento e da repressão. "O ano…" foi um dos poucos filmes brasileiros que vi no cinema. Um filme que todo brasileiro deveria ver. Mas que não estará concorrendo ao Oscar.


Desta vez não vejo culpa nos velhinhos da Academia, "O ano…" é um filme que mexe com o sentimento de quem é brasileiro, de quem conhece de perto a história das perseguições, de quem ouviu dos pais e avós sobre os anos de chumbo. É um filme que fala de nós para nós.


Só quem é brasileiro, sabe o valor da imagem do jogador tchecoslovaco que faz um gol na seleção brasileira, e mesmo sendo de um país comunista, se ajoelha e faz o sinal da cruz na comemoração. Uma das imagens mais belas da história do futebol, mas que só quem é de um país apaixonado por esse esporte pode entender. Assim como o passe no vazio de Pelé para Carlos Alberto. Gol do Brasil. Tri campeão mundial.


A Academia não é boa o bastante para ver em "O Ano…" coisas especiais que notamos com um simples olhar desatento. Foi o filme de despedida de Paulo Autran, um dos maiores mestres da interpretação e da humildade que já se ouviu falar.

"O ano…" é um dos mais nacionais de todos os nacionais já produzidos neste país. Pode não ser uma obra prima, merecedora de n prêmios, mas é digna do carinho de todo brasileiro.


Pensando bem foi até bom não nos representar no Oscar, o maior prêmio que podia ganhar, dele ninguém tira, é o reconhecimento. Aliás, talvez só os Homens de Preto seriam páreos para a Academia. Seria engraçado depois da recusa ouvir Capitão Nascimento dizendo aos senhores do cinema: Não vai subir ninguém! E tirem essa roupa preta porque vocês são moleques! Moleques ouviu bem!

Olha que coisa mais linda mais cheia de Graça

Engraçado como algumas idas consecutivas a um mesmo lugar são capazes de criar constatações tão precisas.
Um dos metros quadrados mais caros de Salvador, o bairro da Graça, guarda particularidades que chamam atenção de qualquer intruso observador.



Um morador do bairro mais populoso da cidade, acostumado com a falta de espaço nos passeios lotados, se constrange ao andar pelo meio da rua. Tirando uma banca de revistas aqui, uma obra ali, espaço é o que não falta, a calçada está vazia.
Os cães parecem ser diferentes, não latem desesperadamente, estranho, não parecem cães. Alguns usam roupas e chinelos. Quem disse que não existe a elite canina?!

A Graça nos no ínicio do século passado

Negros e brancos convivem pacificamente. Segregação? Não, por favor, negros ali não faltam, basta passar pelas centenas de portarias e nota-los. Ou ainda andando pelas ruas conduzindo a "nata cachorral" ou as sacolas com compras.
Os edifícios levam nomes de ingleses, franceses, possivelmente heróis da história européia, que pobres mortais jamais ouviram falar. E possivelmente nem os próprios moradores.


Mas pelas ruas tranqüilas e de sombras convidativas, se vê a mesma coisa que em qualquer outro ponto da cidade, seja na Liberdade, ou em Plataforma. Esperança. A arte de viver da fé, que só não se sabe em que, também existe por lá.
As senhoras que fazem seu cooper de todo dia, e abrem a bolsa para ajudar um pedinte, não só dão a esmola, conversam, aconselham, parecem acreditar num futuro menos cruel, mais igualitário.

Difícil para esse protótipo de escritor cada vez mais jornalista adorniano, ou seja, pessimista, ver algo nesse futuro.


Mas o menino de não mais que quatro anos, que passa pelo largo, olha no fundo dos olhos de uma mulher com uma criança de colo, provavelmente moradoras de rua, e em seguida olha os pais, aponta a cena e ri com uma expressão de sinceridade tão verdadeira, que parece óbvio traduzir o "olha o bebezinho mãe". Sua mãe sorri e lhe estende a mão, ele ainda se vira para novamente observar a cena.

Num futuro próximo, eles podem até estar em lado opostos, mas o sorriso sincero me deixa com a ligeira impressão de que estarão juntos, independente de qualquer coisa lutando por algo melhor, para todos.


A cena mesmo vista a distância, foi sem dúvida, uma das coisas que vi ali de mais lindo, mais cheio de Graça.

O Bahia e o Barradão – Aqui não violão!

Na semana seguinte a tragédia de 25 de novembro na Fonte Nova, já se cogitava que o Bahia poderia mandar seus jogos no Barradão. Cogitação essa logo desfeita pelo próprio presidente do Esporte Clube Bahia, o senhor Petrônio Barradas.
Quase dois meses após o trágico acontecimento, o Bahia começa a sentir no bolso a falta da Fonte Nova.


O time que teve em 2007 a maior média de público do país, levando ao estádio mais de 38 mil pessoas por jogo, passou a levar 2 mil pessoas ao estádio Armando Oliveira, na cidade de Camaçari. O borderô trouxe problemas. Petrônio chiou. E agora se fala em alugar o Barradão. As diretorias de Bahia e Vitória prometem ouvir as torcidas antes de qualquer decisão, o rubro-negro faz hoje antes do jogo pelo Baianão uma pesquisa de opinião com seus torcedores.




Como torcedor do Bahia, sou contra. E não por um orgulho besta, simplesmente por achar que o Manoel Barradas é um patrimônio do Vitória e que este tem o direito de alugar ou não. E sendo rubro-negro eu não alugaria, por coerência.
Cresci ouvindo e também fazendo brincadeiras sobre o que chamávamos de "lixão", mas sempre tive a plena convicção da magnitude do empreendimento pertencente a Leão da Barra. Fui ao Barradão inúmeras vezes e na maioria delas o Bahia sequer estava em campo. É um patrimônio digno de um clube da elite do futebol brasileiro.


Agora o porquê de não ceder ao Bahia o Barradão:
Em menos de dois anos, o E.C. Bahia sofreu duas punições por invasão de campo. Uma em 2006, num jogo contra o Ipatinga, em que a torcida protestava contra a derrota do time e invadiu o gramado, transformando a Fonte Nova numa praça de guerra. E outra no mesmo dia do desabamento da arquibancada, no fim do ano passado, dessa vez em comemoração à ascensão à série B.


Logo me pergunto o que me garante de que uma invasão como essas não ocorrerão no Barradão, levando a interdição da única praça esportiva de Salvador em condições de uso?! Onde o Vitória jogaria na série A? A torcida do Bahia é antes de tudo pacífica, apaixonada, imensa, mas, os vândalos já estão embutidos nesses números. É certo que como diz João Moreira Sales, em A Violência e o Futebol, de Mauricio Murad (livro em que me debruço a ler no momento) nós torcedores somos a norma, e eles, os vândalos a exceção, mas eles, estão cada vez mais presentes em nossos estádios.


Conheço exceções que teriam prazer em ir ao Barradão apenas degrada-lo. O que me garante que não arrancarão a grama e subirão no carrinho da maca comemorando o título do Baiano enfrentando um time do interior, e depois darão a mais ridícula das desculpas. Precisávamos extravagar a alegria! Assim não dá.


Antes de ser torcedor do Bahia, sou torcedor do futebol. E os números jogam contra o Bahia, é triste, mas não dá pra confiar. É triste ver que a corja que administra o Bahia hoje é a mesma de anos e anos atrás, a mesma que teve por diversas vezes oportunidades para erguer o estádio tricolor, mas não o fez. Agora chiam. Os culpados são os mesmos. O presidente do Vitória diz que a vontade da torcida será respeitada. Espero bom senso da nação rubro-negra e que a dignidade tricolor não seja enganada pelos verdadeiros responsáveis pelas eternas derrotas, dentro e fora de campo, daquele que nasceu pra vencer.


O que amanhã uma manchete estampe os jornais: O Bahia de Barradas é barrado no Barradão.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Copa dos Sonhos

Está rolando no Blog do Juca Kfouri, a chamada Copa dos Sonhos, onde todos os esquadrões campeões da seleção brasileira, mais o de 82, se enfrentam para decidir qual foi o melhor, os textos são de autoria de grandes jornalistas e escritores brasileiros. Os dois primeiros foram simplesmente fantásticos. Acompanhe:

O dia em que Tostão inventou o Fair Play (1970x1994)




Copa dos Sonhos II
Por PAULO CALÇADE
A Copa do Mundo dos sonhos já teve partidas melhores.
Os Brasis se enfrentaram em campo chutando os mesmos contrastes que outros tantos Brasis exibem diariamente nos cenários político, econômico e social.
É surpreendente como maneiras diferentes de jogar, de saborear a vida, puderam esconder histórias tão congruentes.
A geração de 1970 praticamente deu as últimas pinceladas num dos mais belos momentos da história da arte.
É como se fosse possível empacotar o movimento impressionista e dar a ele uma única dimensão, uma fatia do tempo.
Em 12 anos, a seleção brasileira ganhou três Copas. Os vira-latas da bola se transformaram nos maiorais sob a batuta de João Havelange e seu projeto de poder absoluto.
Precisamos de 24 anos para voltar a colocar as mãos na taça. Com Havelange na Fifa coube a Ricardo Teixeira, o genro, tocar o plano. As coisas começaram a se encaixar.
Em campo, o elemento principal dessa química que uniu os times de 1970 e 1994 foi a organização.
Com Zagallo, os tricampeões do mundo treinaram três meses antes da Copa, mataram seus adversários no segundo tempo e tiveram uma moderníssima postura tática.
Sim, o time de 1970 foi também resultado de uma excepcional estrutura de jogo e de recomposição da marcação no meio-de-campo. Além, é claro, de ter sabedoria para acomodar Gérson, Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivelino sob o mesmo manto sagrado, aquela tal de amarelinha que Zagallo tanto fala.
Zagallo? Em 1994, o homem da amarelinha foi parceiro de Carlos Alberto Parreira, um dos preparadores físicos da Copa de 70.
Se a história une as duas trajetórias, o talento afasta.
Comparações entre gerações são terríveis.
É como se confrontássemos, na pista, a Lotus de Jochen Rindt, campeão mundial de Fórmula 1, em 1970, e a Benetton de 1994, com ninguém menos do que Michael Schumacher ao volante.
Quem venceria essa parada? Sabemos a resposta...
Mas graças a Deus que no mundo da bola as coisas são mais abstratas, como devem ser a arte e o futebol. E o futebol-arte.
A vitória do time de 1994 sobre o de 1970, numa daquelas máquinas do tempo, poderia mudar definitivamente a história do futebol.
Mas a terra teria que ser dominada pelos terríveis Incas Venusianos, os assustadores vilões das aventuras de Nacional Kid.
No campo dos sonhos e da razão - e para o bem do futebol -, o Brasil de 1970 derrotou o Brasil de 1994 por 3 a 1.
Rivelino, com uma bomba em cobrança de falta, fez 1 a 0. Romário empatou num lançamento de Dunga – que jogou mais do que se imagina por aí. O Baixinho aproveitou o contra-ataque e tocou por cima, na saída de Félix.
Essa, aliás, foi uma característica do time, que trocou, em média, 2,5 passes entre a recuperação da bola e a marcação dos seus gols na Copa de 1994.
Outro fator importante foi a velocidade. O time de Parreira precisou de 9,5 segundos, em média, para retomar a posse de bola e marcar um gol.
A decisão ficou para o segundo tempo, período em que as duas equipes fizeram o maior número de gols em suas Copas.
O problema era deter o time de Zagallo. Rivelino preocupava Jorginho, Branco perseguia Jairzinho. A movimentação de Pelé e Tostão prendia a atenção de Aldair, Márcio Santos e Mauro Silva.
Dunga acompanhava Gérson enquanto Zinho ficava de olho nas descidas de Carlos Alberto; Mazinho controlava Clodoaldo.
Com Gérson bem marcado, sem o espaço e a lentidão da Copa de 70, coube a Clodoaldo superar Mazinho e detonar a implosão da marcação de Parreira. O volante santista tocou para Pelé, na entrada da área. O Rei do Futebol balançou o corpo e bateu forte no canto esquerdo de Taffarel.
A seleção de 94 se abriu e tomou o terceiro, num lançamento de Gérson para Jairzinho, que bateu cruzado: 3 a 1.
Houve ainda um quarto gol, marcado por Tostão, que chamou o árbitro inglês num canto e avisou: foi com a mão.
Sim, na máquina do tempo, foi Tostão que inventou o Fair Play.
Público e renda não foram divulgados.

*Paulo Calçade é comentarista da ESPN-Brasil. Sabe o que é um jornalista completo? Ele é!



Telê x Felipão: que jogão! (1982x2002)

*Por PAULO VINÍCIUS COELHO
Copa dos Sonhos II

Parece covardia, mas não é. O duelo entre um time campeão e outro que caiu nas quartas-de-final.
Ou o duelo entre uma seleção de craques consagrados contra outra, a campeã, que nunca foi reconhecida como deve.
Não se esqueça que o time de 2002 é o único na história das Copas a vencer sete partidas para levantar a taça.
O hipotético jogo entre dois times de ataques avassaladores teria, necessariamente, muitos gols. Vamos a ele.
Começa o jogo e taticamente a partida fica desenhada.
Zico e Sócrates têm marcação de Kléberson e Gilberto Silva.
Convenhamos, os marcadores poderiam ser melhores.
A força dos laterais de 2002, Cafu e Roberto Carlos, também se dilui, por causa da preocupação em marcar os avanços de Leandro e Júnior.
Mas sobra espaço no meio para o time de 1982.
O duelo básico está ali.
No meio de-campo, entre os talentosíssimos meias ofensivos do Brasil 2002, Ronaldinho e Rivaldo, e os fantásticos volantes do Brasil de Telê, Falcão e Cerezo.
Ronaldinho domina e Falcão pára à sua frente. O gremista finge o drible, o colorado não entra. Toma-lhe a bola e sai jogando. Conduz a bola e olha Leandro, marcado por Roberto Carlos. Não toca. De lado, ajeita para Cerezo jogar.
A bola chega a Sócrates e o toque de calcanhar faz Zico entrar em profundidade. Passa por Kléberson e chuta de longe. Gol do Brasil, de 1982.
Tá certo, tá certo... Na Copa da Espanha, quem marcou de longe foi Éder, foi Sócrates. Mas aqui foi Zico. Ele merece.
Mas o Brasil de Felipão era forte no ataque.
Kléberson vai ao ataque e Zico não acompanha. Vai pedir para o Galinho marcar? Claro que não. E Kléberson caminha, olha, toca para Rivaldo, observado por Cerezo.
Este, dá espaço e Rivaldo dribla e entra em diagonal, para a esquerda. Dali, de onde tantas vezes bateu com sua canhota precisa, sem ninguém dar importãncia. Chutou de novo: 1 x 1.

Mas o Brasil de Telê tinha tanto talento, que voava do meio para o ataque. Júnior entra em diagonal e tabela com Zico. Entra em diagonal, como no gol contra a Argentina, no Sarriá. O toque preciso entra por baixo de Marcos.
Volta o Brasil de Rivaldo e Ronaldinho. Falta na entrada da área, pelo lado direito, ali de onde o gaúcho marcou contra Seaman, da Inglaterra. Ele finge o cruzamento, mas bate por cima. Valdir Peres erra. E Felipão empata com seu Brasil.
O empate é tudo de que Felipão mais gosta.
Na Espanha, valia a vaga para o Brasil de Telê, que levou o terceiro, de Paolo Rossi.
Mas na Copa do Juca, o empate leva aos pênaltis.
O Brasil de Felipão espera. O de Telê vai ao ataque.
Dizem que isso é um risco num time que joga em contra-ataque.
Mas Telê manda Leandro, Júnior, Falcão, Cerezo... Pura arte! Leandro finge que vai ao fundo, Roberto Carlos segue... E Leandro corta para dentro. Em diagonal, como gostava de fazer, tenta o tiro. Marcos rebate para a frente, como Fillol no Sarriá -- lembre, o Brasil também ganhou lá, da Argentina. Na sobra, é Zico quem coloca o bico na bola para marcar.
O Brasil de Telê vence: 3 x 2 contra Felipão. Com gol de Zico, o futebol-arte está na frente.
Com gol de bico.


*Paulo Vinícius Coelho é colunista do diário "Lance!" e comentarista da ESPN-Brasil. E que colunista! E que comentarista!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Controle

De Antonio Prata.

Dentre os vários mistérios deste mundo, um tem me intrigado especialmente (pelo menos desde que voltei do 95, onde fui discutir com a dona Marlene uns pormenores à respeito das vagas na garagem): por que diabos algumas pessoas enrolam o controle remoto com magipac?
Quem, como a dona Marlene, embrulha o controle como se fosse uma sardinha a ser congelada, deve acreditar que o está protegendo. Mas protegendo-o de que, meu Deus? De nossas mãos imundas? Se é assim, se com o simples toque macularemos a suposta pureza do objeto, teremos de enrolar tudo em folhas de plástico: do teclado do computador ao papa. Não seria mais fácil, de uma vez, usarmos luvas cirúrgicas?
Talvez não sejam de nossas mãos, no entanto, que as zelosas donas Marlenes desse mundo protejam o controle, mas de algo pior. Quem sabe um tornado passe sobre o bairro justamente quando minha vizinha do 95 foi comprar peito de peru na padaria e deixou as janelas abertas? A sala é inundada: perde-se o sofá, o abajur, a tv, o tapete de sisal, anos e anos de economia, mas o controle remoto, oh!, santa precaução, o controle remoto sobreviverá, incólume, em meio aos destroços. E agarrada ao pequeno e lustroso sobrevivente, chorando, descabelada, a boa Marlene se ajoelhará entre os destroços e agradecerá aos céus por ter tomado seus cuidados impermeabilizantes.
Tento evitar o preconceito, tenho terror à discriminação, mas devo confessar que jamais seria capaz de uma relação mais íntima com uma pessoa que fosse adepta de tais exageros, digamos – ou suponhamos --, assépticos. Desconfio que quem embrulha um controle remoto é capaz de coisas muito piores. Flores de plástico, por exemplo.
O terror que representa uma flor de plástico é facilmente compreendido por qualquer sujeito que já tenha visto uma flor de verdade, dessas que abrem, cheiram bem, depois morrem – e só por isso, oras bolas!, são belas. Uma flor de plástico é como uma mulher de plástico, um bife de plástico, um pôr do sol de plástico.
A essas pessoas que, se pudessem, faziam-se todas poliuretano, pergunto: se as flores são de plástico, porque não também uma boneca inflável no lugar da esposa, umas Barbies no lugar dos filhos e uma dessas amostras de vitrine de restaurante japonês para o jantar? Sim, eis o caminho inexorável: primeiro o magipac no controle, depois as flores de plástico e, quando vamos ver, George Orwell dominou geral.
Sei que é preconceito. Sei que depois de publicada essa crônica virão cartas e e-mails furibundos. Pessoas idôneas e acima de qualquer suspeita surgirão, brandindo seus reluzentes e protegidos controles e promovendo abaixo assinados, onde constarão políticos de passado ilibado, artistas de cinema e esportistas olímpicos, um ou outro santo até, quem sabe (por procuração de um descendente), dizendo que nunca deixaram seus controles ao alcance do orvalho, da gordura, dos tufões ou do sereno. E que isso não é da minha conta. E que eu deveria me preocupar com as crianças abandonadas, o desmatamento da Amazônia, a alta dos juros ou com meus próprios assuntos.
Vocês têm toda razão. Eu é que estou errado, anacrônico, impuro e besta. O mundo, como a vaga de frente para a rampa, sempre será das donas Marlenes. Quando, no ocaso de meus dias, eu tiver que apertar com todas as forças o já gasto botão on/off do controle da televisão, cercado por flores murchas e crianças barulhentas, olharei no fundo dos olhos cansados de minha esposa e murmurarei, arrependido: “magipac”. “O que foi que você disse, meu amor?”. “Nada, querida, nada. Já é tarde e acho que vou dormir”.

Matando as saudades do Pratinha! Gênial e ponto!

sábado, 22 de dezembro de 2007

Niemeyer e a Nova Fonte

O governador do Estado, Jaques Wagner, afirmou, hoje (19/12), que convidou o arquiteto Oscar Niemeyer para idealizar o novo estádio de futebol da Bahia, previsto para ser construído no mesmo local onde hoje se encontra a Fonte Nova.

Jaques Wagner ressaltou que já manteve contatos telefônicos com Niemeyer e, em breve, vai agendar um encontro para discutir o assunto. O agora centenário Oscar Niemeyer, completou 100 anos no último dia 15.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Pitacos Vascainos


Leandro Amaral ganhou uma liminar na justiça do trabalho e não é mais jogador do Vasco. O time carioca recorreu e ontem ocorreu a primeira audiência. Acho que Leandro Amaral tem razão sim, em pedir liberação. O Vasco pode ter lhe aberto as portas quando estava desempregado, mas ele sempre foi uma realidade, só precisava se reencontrar e isso aconteceu no Vasco.

Lembro-me da torcida vascaina chamando Alex Dias de traíra anos atrás, quando foi para o Fluminense, mas não o culpei, assim como não culpo Leandro, eles são profissionais, tem direitos, o que não se pode é aceitar que um dirigente ultrapassado e ditador que se acha dono de um time com uma história como a do Vasco, humilhe e se ache dono das pessoas. Com Eurico não dá. Foi assim com Pedrinho, com Alex Dias, com tantos outros e agora com Leandro. Se ele deseja sair, deve ir. Ele merece ser feliz. E o Vasco também.

Depois dos títulos de 2000, só conquistou o carioca de 2003 e mais nada. Se acostumou a ser mediano, com jogadores medianos, com preparação mediana. Eurico e sua diretoria parecem querer fazer com que a imensa nação vascaina se acostume a ter um time mediano. O Vasco é grande e muito maior do que Eurico e sua corja. Assim não dá mais. Euriquinho, pede pra sair!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Ele voltou



Renault anuncia seus dois pilotos para 2008. Fernando Alonso e Nelsinho Piquet. Assim fica difícil não torcer contra. Que venha 2008.

Saudações, ainda que sem tempo pra postar.

Abraço a todos!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Crônica de uma saudade

Somente hoje, 01 de dezembro de 2008, exatos seis dias após o mais trágico incidente da história do futebol brasileiro, consigo escrever sobre o ocorrido.
Ao apito final do árbitro, o Bahia se livrou de um dos piores momentos de sua história, a terceira divisão. Quando alguns torcedores pularam o fosso e começaram a entrar no gramado comemorando a conquista, a primeira coisa que pensei, ainda que feliz até aquele momento, foi: Quantos jogos de suspensão vamos pegar dessa vez? E pensei como torcedor sim, como torcedor que entende que lugar de torcida é na arquibancada, seja nos momentos ruins como na invasão de 2006 contra o Ipatinga, ou nos bons momentos como ocorreu desta vez. O Bahia pagará e caro pela falta de juízo dos seus torcedores. Seja lá onde for, o time jogará a Copa do Brasil e o início da Série B, de portões fechados.

Mas até o momento desse pensamento, eu não tinha conhecimento da tragédia maior que havia acontecido. O desabamento da arquibancada e a morte de sete torcedores, só chegaram a meu conhecimento após começar a receber inúmeras ligações de amigos e familiares que tentavam se certificar de que estava tudo bem comigo.

Sobre o desabamento da arquibancada num local muito próximo onde eu costumeiramente ficava no estádio, a morte de sete pessoas, entre elas uma com que convivi por mais de três anos, além da identificação dos possíveis responsáveis são pontos que eu não tocarei. Ainda dói.

E ainda nessa semana, a confirmação: A Fonte Nova vai ao chão. Será demolida para a construção de um novo estádio.

A primeira vez que fui ao estádio da Fonte Nova, apesar de não recordar especificadamente da data, foi para um Bahia e Camaçari, no ano de 1993. O Bahia venceu por 5 a 0. Ainda naquele ano, assisti ao primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro daquele ano, Vitória e Palmeiras.

A Fonte tornou-se uma espécie de segunda casa, de uma ponta a outra. Todos os bares, banheiros, tios da pipoca, tias da cana. Comecei a freqüentar o estádio no longícüo ano de 93 em companhia do meu avô, com o passar do tempo passei a freqüentar sozinho, a maior praça esportiva da Bahia.

Lembro de grandes jogos, como Bahia e Vasco pelas oitavas de final do Brasileiro de 2000. 3 a 3, com dois de Romário para o Vasco. Foi num Bahia e Vasco também, só que em 96 que vi pela primeira um gol olímpico no estádio. Ramón Menezes, ídolo pelo Bahia, pelo Vitória e na época do Vasco. Ali também vi gols dos mais bonitos da minha vida futebolística. Vi sentado na arquibancada que fica atrás do gol da Ladeira, o gol mais bonito da carreira de Nonato. O jogo foi Bahia 4, Atlético Mineiro 1, valido pelo campeonato Brasileiro de 2001. O Bahia de campanha brilhante – terminou em 8º - vencia mais um adversário na Fonte Nova. Nonato recebeu dentro da área, de um lençol no zagueiro atleticano, matou no peito e estufou as redes, um golaço. O mais bonito que vi ali. Contra o Galo mineiro, me lembro de outro jogo memorável, Bahia 4 a 3, pelas quartas de final da Copa do Brasil, porém por ter perdido em BH por 2 a 1, o Bahia terminou eliminado. Acompanhei de perto, outros momentos tristes, em 2004, depois de um campeonato brilhante, sob o comando de Vadão, o time chegou a última rodada da Série B, precisando vencer o já classificado Brasiliense e torcer por uma vitória do Fortaleza que jogava contra o Avaí. O time cearense fez sua parte, mas o Bahia não, e numa Fonte Nova lotada, deixou escapar a chance.
A Fonte vai, mas deixará saudades, quem vivenciou dezenas de BaVis de casa cheia, jamais esquecerá, seja o 1 a 1 de 2004, com gols de Obina e Galeano – de bicicleta – ou o antológico 6 a 5 desse ano.

Apesar de todas as decisões, a ficha parece ainda não ter caído. A Fonte Nova vai se tornar Nova Fonte, mas o eterna magia daquele lugar permanecerá, seja pra quem foi apenas uma vez, ou pra quem tem ali toda uma vida, o espírito é o mesmo. Muita saudade, pesar. Nenhum povo merecia isso, o povo baiano então…enfim como Garcia Márquez, parto com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor, só que por toneladas de aço e concreto. Boa partida velha amiga. Até a volta.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tristeza e desde já saudade - A Fonte vai ao chão

Ando sem muito tempo para escrever sobre a tragédia, aqui um video com a reportagem completa:

Globo Esporte

E aqui uma pequena homenagem ao local onde por vezes o torcedor baiano foi o mais feliz do mundo:

A Fonte Nossa

Medida adotadas pós tragédia - A Fonte velha vai ao chão

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Sem muito pra comemorar - O Bahia sobe mas a tragédia impede a festa




Era pra ser uma festa, o Bahia conseguiu a classificação, mas no fim uma tragédia.

Um parte da arquibancada desabou e oito torcedores morrreram. Uma pena. O sentimento é de consternação. De vazio e só.


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Êêêêêê vamos pra série B! êêêêê"



O Bahia pela primeira vez nesse campeonato da série C jogou como um time grande que é.

E foi completo, teve um goleiro que mostrou serviço quando necessário, uma zaga quase sempre segura, um meio campo copeiro, um ataque solidário. Foi enfim o time que o torcedor gostria de ver. Elias autor de dois gols, Fausto e Eduardo, além de Márcio com pelo menos 2 excelentes defesas foram os principais destaques. Isso dentro de campo, porque fora dele nas arquibancadas mais um show. Mais de 59 mil pessoas empurrando o tricolor. Domingo tem o último jogo da temporada na Fonte, promessa de espetáculo, casa cheia e se o Bahia jogar como ontem, d emuita alegria. E que se posso ouvir de todos os cantos da cidade: "eu tô na série b!!!".

Então que venha o Vila Nova, Túlio e o domingo!

"Bahia, Bahia minha vida, Bahia meu orgulho, Bahia meu amor"

Arte: Thamires Barbosa

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O Brasil foi Luis e Júlio contra a Celeste Uruguaia

O Brasil jogou muito mal, mas venceu o Uruguai ontem num Morumbi lotado com mais de 65 mil pessoas.

O time começou perdendo com um gol marcado por el loco Abreu no comecinho do jogo. O Uruguai foi superior todo o primeiro tempo e só não ampliou graças a Júlio César numa noite inspirada digna de um esqueçam Rogério Ceni, com defesas fantásticas a la Gordon Banks.

No fim do primeiro tempo o Brasil achou um gol, quase sem ângulo Luis Fabiano bateu cruzado entre as pernas de Carini. No segundo tempo o time voltou a jogar mal. Dunga tirou Ronaldinho Gaúcho, o melhor dos três tenores em campo e pôs Josué que entrou bem ajudando na marcação. E num ataque rápido Maicon cruzou na área, a bola passou por Kaká e sobrou pra Gilberto que tentou bater bizonhamente no gol, a bola terminou sobrando pra Luis Fabiano, que conhecedor de cada metro quadrado do Morumbi empurrou pro fundo. Brasil 2 a 1.

Os dois jogos, contra o Peru 1 a 1 em Lima, e o de ontem no Morumbi serviram pra Dunga ver que existem dezenas de atacantes melhores do que Wagner Love e principalmente Afonso. Luis Fabiano é um deles, e deve deter a 9 por um bom tempo a partir de agora.
Ainda pra que vejam que Gilberto é um lateral mediano em fim de carreia. E por fim se o quadrado mágico não deu certo, parece que o trio de tenores também não dará, ao menos contra equipes qualificadas Kaká, Robinho e Ronaldinho não rendem o suficiente e ai cadê a marcação?



Enfim no Morumbi com o fim do jogo não se viu muitas comemorações, também não havia porque. Os gritos de "Luis! Fabiano!" foram sim justíssimos pelo que fez o atacante do Sevilla, só faltou cantarem como em dias de jogo da Inter "Julio! Julio César! lálálálá!" mas o orgulho sãoapaulino não permitiria tanto.

Hoje tem Fonte Nova. Bahia e ABC disputam a liderança da série C. Uma vitória coloca o Bahia muito perto da série B. Os 60 mil ingressos já foram vendidos, promessa de espetáculo, ao menos nas arquibancadas.

abraço!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

"Eu já subi negôôôôôôô.....ôôô....eu já subi negôôô"




Força vermelha e preta! O Vitória agora é série A.

Estou sem muito tempo pra postar, mas não poderia deixar de colocar aqui a homenagem ao leão da Barra, agora de volta a elite.

Parabéns Vitória, parabéns nação rubro negra. Bonito de ver o Barradão novamente lotado, e substituindo o originalissimo "vamos subir negôôôô", por um novo brado recheado de orgulho: "eu já subi negôôôôôô".

Ainda em tempo prometo um novo post especial sobre essa façanha rubro-negra. Falta o Bahia conseguir seu objetivo deste ano. Ficamos no torcida.

Abraços!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cultura e Futebol na Ufba

A Universidade Federal da Bahia realiza desta quarta, dia 7, a sexta-feira, dia 9, o VIII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação, com a participação de mestrandos e doutorandos de todas as unidades.

Entre os trabalhos selecionados, será apresentado, pelo jornalista esportivo e doutorando Paulo Leandro, "o futebol como manifestação cultural", programado para quinta-feira, dia 9, no prédio PAF-1, sala 213, do campus de Ondina, às 11h30min.

Orientado pelo doutor Maurício Tavares, o estudo tem como objetivo contextualizar o futebol como manifestação capaz de sintetizar e expressar identidades coletivas mesclando cultura popular e massiva.

Tido como uma expressão originária da cultura popular, na mesma categoria do Carnaval e de outras festas, o futebol foi apropriado como cultura massiva e vem deixando de ser um tema em total desacordo com as megateorias acadêmicas, antes identificadas exclusivamente com a chamada "alta cultura".

O trabalho visa ainda iniciar uma análise da percepção do fenômeno "torcida" e dos perfis dos dois maiores clubes baianos, como se convencionou chamar as agremiações Esporte Clube Vitória e Esporte Clube Bahia.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Noite de Gala - Nas arquibancadas

Noite de gala no futebol Brasileiro, o São Paulo sagrou-se pentacampeão nacional, assim como o Flamengo em 92.

Não assisti à conquista tricolor, pois estava na Fonte Nova vendo outro tricolor, o baiano.Fonte Nova lotada. 60 mil pessoas. Linda mais uma vez.

No momento encontro-me no meio da produção de um Conspiração Fest, logo sem tempo para escrever muito. Deixo os links de tudo que melhor achei hoje no GloboEsporte.com.

Amanhã é dia de Finados, nunca entendi muito bem o porque do dia. Acho que todo dia é dia de lembramos dos nossos mortos, mas enfim.

Volto com uma crônica, que espero que fique engraçada, sobre não levar mulher (que não vai frequentemente) ao estádio quando não se é a companhia final dela. Tudo bem que o título ficou meio confuso, mas vocês vão entender. Além do mais tem a intenção de ser divertida mesmo. Foi bem a minha experiência ontem na Fonte Nova. Divertidissíma. Frustante. Hilária.

Um abraço e um bom feriadão!

São Paulo Campeão: http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/0,,EEI376-7170,00.html

A rodada de ontem - série A - pelo Lédio: http://sportv.globo.com/SporTV/Home/0,,GEN596-4933,00.html

A série C: http://globoesporte.globo.com/ESP/Home/0,,9743,00.html